O que é Amaurose congênita de Leber?

A Amaurose Congênita de Leber (ACL) é uma doença degenerativa hereditária rara que leva a disfunção da retina numa idade precoce - geralmente desde o nascimento. De todas as degenerações da retina, ACL tem idade de início mais precoce e perda visual mais grave.

 

Quais são os sintomas?

A perda da visão, observada desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida, tem gravidade que varia de criança para criança, o que depende da base genética da doença, hoje já bem caracterizada e definida pelo teste genético. Os pais descrevem que a criança não foca nos objetos. Além disso as crianças apresentam movimentos involuntários com os olhos, chamados de nistagmo; algumas crinaças apertam, coçam e empurram seus olhos com os dedos, e podem ficar com os olhos fundos. Alguns tem fotofobia importante, e fecham os olhos em ambientes claros; outros tem cegueira noturna e a visão piora em ambientes escuros.

Existem formas sindrômicas da doença, quando os pacientes tem anormalidades do sistema nervoso central, como atraso do desenvolvimento, epilepsia e dificuldades motoras. Como a ACL é uma doença relativamente rara, a frequência de complicações do sistema nervoso central é desconhecida.

 

Quando a Amaurose Congênita de Leber é diagnosticada?

Nos primeiros meses de vida, os pais observam falta de resposta visual e movimentos oculares anormais, conhecido como nistagmo. O exame oftalmológico das crianças com ACL revelam retinas de aspecto normal. Entretanto, o exame eletrorretinograma (ERG) de campo total, que mede a função visual, detecta pouca ou nenhuma atividade da retina. O ERG é um exame essencial no diagnóstico da ACL, e muitas vezes seus resultados precisam ser repetidos e confirmados, dependendo da idade da criança que está sendo avaliada.

 

Como a Amaurose Congênita de Leber progride?

Apesar do aspecto da retina alterar com a idade, a visão se mantém praticamente estável até a adolescência em 75% dos casos. 15% das crianças vão apresentar piora progressiva da visão, e 10% pode apresentar alguma melhora, geralmente temporária. A doença é progressiva e a perda visual completa ocorre geralmente na terceira ou quarta década de vida.

A acuidade visual em pacientes com Amaurose Congênita  de Leber é limitada a conta dedos, detecção de movimentos de mão e percepção de luz. Alguns pacientes também são extremamente sensíveis à luz (fotofobia). Os pacientes com visão residual são extremamente perspicazes.

 

Como a Amaurose Congênita de Leber é transmitida?

A ACL é uma doença genética transmitida com padrão autossômico recessivo. Entretanto as causas de ACL não estão bem compreendidas, e os pesquisadores acreditam que a doença pode acontecer por um desenvolvimento anormal de células fotorreceptoras da retina ou a uma degeneração extremamente prematura destas células.

 

A Amaurose Congênita de Leber pode ser tratada?

Atualmente, não existe tratamento disponível para ACL em pacientes humanos. Entretanto, testes clínicos em humanos estão sendo conduzidos desde que os resultados das pequisas com terapia gênica em animais (cães Briad) foram satisfatórios. 

Em 1997, os pesquisadores do NEI identificaram um gene causador da ACL, chamado RPE65. Como o próprio nome diz, o RPE65 é ativo na camada de células chamado epitélio pigmentado da retina, abreviado como RPE no inglês (retinal pigment epithelium). As células do EPR mantém a função dos fotorreceptores na retina neural.

As mutações neste gene foram identificadas como causa da ACL nos cães Briard. Em 2000, um grupo de pesquisadores injetaram uma única injeção  contendo o RPE65 normal (terapia gênica) em cães Briard com ACL. E estes cães melhoraram significativamente sua visão, e passaram a perceber objetos e obstáculos enquanto caminhavam, e o percurso de uma pista. E, com apenas uma injeção, estes cães tem mantido sua visão, sem sinais de complicação.

Vários testes clínicos envolvendo seres humanos começaram em 2007 e tiveram resultados promissores. Os estudos em seres humanos foram concluídos em outubro de 2015 e submetidos para avaliação do FDA. A comunidade científica e pacientes aguardam com esperança.

Outros genes causadores de ACL também estão sendo testados em laboratório e testes clínicos com resultados interessantes. 

Quem seriam os candidatos a este tratamento?

Um dos desafios do tratamento é definir quão tardiamente na evolução da doença podemos intervir. Apesar de que mutações no RPE65 cause grave perda visual, a estrutura da retina permanece intacta por período indeterminado de tempo. A preservação estrutural da retina também é observada na Amaurose Congêntia de Leber causada por outros genes (fenótipos); esta observação aponta para alguns fenótipos, a terapia gênica é uma opçñao promissora de tratamento.

A avaliação da retina com a Tomografia de Coerência Óptica e Autofluorescência podem mostrar a integridade da estrutura da retina dos pacientes com Amaurose Congênita de Leber e outras distrofias hereditárias da retina. Esta avaliação permite selecionar os pacientes e fenótipos mais adequados para terapia gênica, para terapia celular e para outras formas de terapia em pesquisa.

Outra limitação do tratamento da Amaurose Congênita de Leber é genético. Vários genes foram relacionados à Amaurose Congênita de Leber. Os aspectos clínicos (fenótipo) da doença são distintos entre  os diferentes genes em termos de gravidade de acometimento visual, se a visão é pior no claro ou no escuro, o aspecto do fundo de olho. O teste genético ajuda a identificar o gene acometido na doença e permite molhores condições de acompanhar com esperança as novas descobertas, as diversas linhas de pesquisas e seus avanços e permite participar de testes clínicos específicos.